O nascimento de um projeto brasileiro
A Toro surgiu como o projeto 226, desenvolvido inteiramente no Brasil pela engenharia da Fiat em parceria com a matriz. O objetivo era preencher a lacuna entre as picapes compactas, como a Strada, e as médias que cresceram demais em tamanho e preço nas últimas décadas.
Lançada em 2016, a picape foi batizada com um nome italiano que remete à força e robustez. Produzida em Goiana, Pernambuco, ela chegou ao mercado com a proposta de ser um Sport Utility Pick-up, uma categoria que buscava misturar a versatilidade de carga com a dirigibilidade de um carro de passeio.
Engenharia e diferenciais técnicos
O grande trunfo da Toro foi romper com o padrão das picapes médias tradicionais, que ainda utilizavam chassi sobre longarinas. A Fiat apostou em uma construção monobloco combinada com suspensão traseira independente multilink, garantindo mais estabilidade e conforto em uso urbano e em viagens.
Outro detalhe que marcou o lançamento foi a tampa traseira bipartida, uma solução funcional que trouxe praticidade para o carregamento. O projeto também se destacou por ter sido o primeiro na história mundial da Fiat a permitir que jornalistas acompanhassem o desenvolvimento desde as primeiras maquetes e mulas de teste.
Evolução dos motores
A trajetória da Toro sob o capô foi marcada por mudanças significativas. As primeiras versões de entrada usavam o motor 1.8 E.Torq, que sofria com o peso do veículo, especialmente na versão automática. Opções como o 2.4 Tigershark também passaram pelo catálogo, focando em mais potência, mas com consumo elevado.
A partir da linha 2021, o cenário melhorou com a chegada do motor 1.3 turbo flex. Atualmente, a linha conta com propulsores mais eficientes, como o Turbo 270 e o motor MultiJet 2.2 turbodiesel, que entregam ganhos expressivos de torque e potência comparados às gerações anteriores.
O que o mercado diz
O sucesso comercial da picape é evidente, com mais de meio milhão de unidades vendidas no Brasil. Donos e usuários frequentemente destacam o conforto interno e a facilidade de condução, que realmente se aproxima de um SUV médio, tornando-a uma opção viável tanto para o trabalho quanto para o lazer.
Por outro lado, o histórico do modelo mostra críticas recorrentes ao desempenho das motorizações de entrada nas primeiras edições. O consumo de combustível também é um ponto de atenção frequente em discussões sobre o custo de manutenção e a viabilidade da picape no dia a dia.
Presença global
Embora seja um produto desenvolvido e fabricado no Brasil, a Toro ganhou fronteiras. Em outros mercados da América Latina, como a Colômbia, o modelo é comercializado sob a marca RAM, batizado de RAM 1000.
A estratégia de internacionalização também prevê a venda do modelo nos Estados Unidos, reafirmando a importância do projeto brasileiro dentro da estrutura global da Stellantis.















